
Durante a década de 80 o Projeto Peixe-Boi Marinho promoveu a conscientização do risco que a espécie corria de desaparecer do litoral brasileiro. Tanto que em 1989, com as recomendações do Projeto, o peixe-boi foi citado na Lista Oficial Brasileira de Espécies Ameaçadas pelo recém criado IBAMA.
Com a criação do "Centro Peixe-Boi" em 1990 e sua promoção para Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Manejo de Mamíferos Aquáticos em 1998, o Projeto Peixe-Boi passa a ser um dos projetos executivos do CMA, executado em conjunto com a FMA
Na segunda década do Projeto os esforços foram concentrados em minimizar o estado de conservação do peixe-boi, através do alcance de metas estrategicamente traçadas e avaliadas.
Para cumprir sua função, o Projeto Peixe-Boi resgata, reabilita e reintroduz peixes-bois em seu hábitat. A reprodução e o nascimento de filhotes em cativeiro também são elementos importantes dessa estratégia, tendo sido registrado o primeiro nascimento de peixes-bois gêmeos da América Latina na Unidade de Resgate e Reabilitação do Projeto Peixe-Boi.
Há registros vitoriosos de animais que passaram por esse processo, foram reintroduzidos e hoje são monitorados diariamente em seu ambiente natural pela equipe técnica do Projeto, através da radiotelemetria.
Ao todo, a equipe do projeto já resgatou 35 peixes-bois, salvos de cativeiros inadequados ou vítimas de encalhes. Depois de passarem por um profundo processo de reabilitação, nove desses animais foram devolvidos com sucesso à natureza. Dois outros encontram-se em fase de readaptação à vida selvagem no cativeiro natural do projeto, localizado em Barra de Mamanguape, na Paraíba. Oito peixes-bois estão nos oceanários na sede do projeto, onde podem ser visitados pelo público, e cinco filhotes se recuperam em regime fechado.
Estes números são bastante expressivos, considerando que a espécie contabiliza o alarmante número de cerca de 500 animais em vida livre na costa brasileira, o que faz do peixe-boi marinho o mamífero aquático brasileiro mais ameaçado de extinção.
Sede Nacional do Projeto Peixe-Boi em Itamaracá (http://www.ibama.gov.br/cma )
Nos oceanários é possível dar todo o tratamento de que os filhotes encalhados precisam para uma plena recuperação. Com o passar dos anos e à medida em que aumentava o conhecimento das pessoas sobre o trabalho desenvolvido em Itamaracá, a vinda de filhotes resgatados em situação de encalhe passou a ser cada vez mais freqüente, contribuindo de forma decisiva para a conservação da espécie na costa do Nordeste brasileiro.
Na Unidade de Reabilitação são feitos estudos sobre a biologia, comportamento, alimentação e fisiologia, além de estudos médico-veterinários, sangüíneos e genéticos. Com isso, tem-se uma oportunidade única de estudar a espécie de peixe-boi que ocorre no litoral brasileiro.Nos oceanários vivem também peixes-bois que estavam em cativeiros inadequados, como Xica (ver Seu Amigo Peixe-Boi), que passou mais de vinte e cinco anos num pequeno tanque numa praça do Recife.
Foi em Itamaracá que em dezembro de 1996 nasceu o primeiro filhote de peixe-boi em cativeiro da América Latina. Era Xiquito, filho de Xica.
Em abril de 1997, o Projeto Peixe-Boi teve outra vitória: o nascimento de gêmeas.A experiência desenvolvida em Itamaracá permitiu que os oceanários abrigassem não apenas os filhotes de peixe-boi resgatados, mas também outros mamíferos que encalham na costa nordestina, como pinípedes e cetáceos.
a Sede do Projeto, os visitantes podem conhecer melhor a vida dos sirênios, pois os amplos oceanários permitem uma visão perfeita dos animais e dos manejo destes. Além da observação direta, eles têm acesso a vídeos, exposições fotográficas e palestras.